terça-feira, 1 de junho de 2010

LEITE

Publicado no Estado de Minas em 06 de dezembro de 1985.

Leite

Temos acompanhado pela imprensa e televisão as notícias sobre a insatisfação dos produtores de leite com os preços autorizaods pelo governo.
Com o triste espetáculo de alguns produtores jogando leite em rios e outros dando-os aos porcos.

Por trás de tudo estão as cooperativas e as fábricas de leite em pó (trustes internacionais) que não querem que o Governo adote realmente uma política para o leite.

Conforme palestra realizada no BDMG, no Seminário Constituinte e Consumidor, pelo secretário da SEAP, o governo estuda uma série de medidas, visando a uma política para o leite.

O governo quer acabar com a discriminação de preços para o leite cota e o leite em excesso.

Esta medida irá beneficiar o produtor.

Não é justo para o produtor, que normalmente tem problemas com as cooperativas e usinas de leite, tais como:

a) pagamento com 30 a 45 dias após o fornecimento do leite, quando pagam;
b) leite em excesso com valor inferior ao leite cota;
c) desclassificação deleites pelas usinas sob a alegação de leite ácido... e o leite fica para a usina e é aproveitado de diferentes maneiras, com faturamento para as cooperativas.

O governo constatou que para o ano de 1986 somente para a Campanha da Merenda Escolar a demanda de leite em pó é maior do que a disponibilidade de leite a ser industrializado durante o ano, o que obrigará a importação do produto.

O Brasil nunca teve uma política para o leite, agora quando o governo anuncia que está decidido a solucionar o problema, criando uma planilha de custos; criando uma comissão para o leite, levantando questões que somente interessam às indústrias de leite, os produtores fazem locaute incentivados pelas usinas, pelos interesses de grupos, que não querem uma solução para o leite, pois querem continuar sugando do produtor.

É necessário que os órgãos de comunicação levantem o problema e mostrem os dois lados dos fatos, pois a cada ano os produtores estão mais descapitalizados enquanto as cooperativas estão em melhores condições.

Nenhum comentário:

Postar um comentário