quarta-feira, 28 de maio de 2014

PARABÉNS PRIMEIRA TURMA FEMININA DA ESCOLA NAVAL 2014

Publicado na Folha do Padre Eustáquio em maio de 2014 Escola Naval Doze mulheres acabam de ingressar na Escola Naval, integrando o primeiro grupo feminino a pisar, como aspirantes, o solo de Villegagnon.Carla Andrade, uma delas, escreveu o seguinte texto: "De todas as transformações que o nosso país enfrenta, não tenho dúvida que a pior delas é a inversão de valores. Não estou falando dos atores, mas da plateia. Quem determina o sucesso de um espetáculo é o público. Por melhor que sejam os atores e o enredo, se o público não aplaudir, a turnê acaba. Nós somos a sociedade, nós somos a plateia, nós dizemos qual o espetáculo deve acabar e qual precisa continuar. Se nós estamos aplaudindo coisas erradas, se damos ibope a pessoas erradas, de que estamos reclamando afinal? Somos nós que continuamos consumindo notícias de bandios presos e condenados. Somos nós que consumimos notícias de arruaceiros que ganham mesada para depredar o nosso patrimônio. Somos nós que damos trela para beijaços, toplessaços, marcha de vadiaças, dos maconheiraços, os super-heróis que batem ponto em "manifestações" (e que gostam de cozinhar-se dentro de uma fantasia num sol de 45 graus), e todos os tipos de histéricos perfomáticos que querem seus 15 minutos de fama. Quando fazemos isso, estamos dando-lhes valores que não têm. Estamos dedicando-lhes o nosso precioso tempo. Passou da hora de dar um basta nisso! Por que os nossos jornais estão recheados de funkeiros ao invés de medalhistas olímpicos do conhecimento? Por que vende-se mais jornal com notícia de um funkeiro que largou a escola por já estar milionário, do que de um aluno brilhante que supera até seus professores? Porque sabemos os nomes dos BBBs e não sabemos os nomes dos nossos cientistas que palestram no TED? Porque muitos não sabem nem o que é o TED? Ou Campus Party? Porque um evento histórico para o Brasil como o ingresso da primeira turma feminina da Escola Naval não é noticiado? Porque um monte de alienadas com peitos de fora, merecem mais manchetes do que as brilhantes alunas, que conquistaram as primeiras 12 vagas, da mais antiga instituição de ensino superior do Brasil? Por que nós continuamos aplaudindo a barbárie, se ainda temos valores? O país não mudará se nós não mudarmos o foco! Os políticos não mudarão se nós não refletirmos a sociedade que queremos! Já passou da hora de nos posicionarmos! Ostracismo a quem não merece a nossa atenção e aplausos para quem faz por merecer. Merecer! Precisamos devolver essa palavra para o nosso dicionário cotidiano. Meu coração ao olhar essa foto hoje, se divide em vários sentimentos distintos. Muito orgulho de ser mulher e me ver representada por essas guerreiras. Elas não estão fazendo arruaça pleiteando igualdade. Elas conquistaram a igualdade estudando e ralando muito. Elas tiveram que carregar na mão as suas malas pesadas no dia que entraram na Escola Naval. Não puderam puxar na rodinha não! Tiveram que carregar na mão igual aos aspirantes masculinos. Elas foram e fizeram. Mas ao contrario das feministas de toddynho, não estarão nas manchetes dos jornais de hoje. E isso me evoca outros sentimentos. Sentimento de revolta, de vergonha, e de constrangimento frente a essa mulheres, que não serão chamadas de heroínas por apresentadores de televisão. Mas estão dispostas a morrer como heroínas por nosso país. Parabéns Primeira Turma Feminina da Escola Naval de 2014. Vocês são a dúzia que vale mais que milhares. Parabéns Folha do Padre Eustáquio por dar destaque ao fato muito importante e significativo da pujança de nossas mulheres que não querem iqualdade, pois sabem conquista-la.

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