segunda-feira, 31 de maio de 2010

Comissão denuncia sucateamento

Publicado no Hoje em Dia em 04. de maio de 1995.

Mafersa

A Comissão de Fábrica dos Operários da Mafersa S.A. e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Mecânicas e de Material Elétrico de Belo Horizonte e Contagem denunciaram ontem, na Assembléia Legislativa de Minas, o sucateamento da empresa, depois de sua privatização em 1991.
Segundo o diretor do sindicato, Paulo César Fungji, o último lucro da Mafersa foi constatado em 1992. A partir daí, a empresa só apresentou déficit e hoje acumula uma dívida de R$ 70 milhões.
Depois da privatização, o quadro de 4.300 trabalhadores foi reduzido para 1.800 divididos na três empresas da Mafersa (Caçapava, São Paulo e Contagem).
A última atitude da empresa, segundo o sindicato, foi a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 30 horas e do salário em 25%.
Os funcionários também denunciaram que a Mafersa só pagou 40% do salário dos operários na última sexta- feira, prometendo o restante para o quinto dia útil do mês.
Tanto o sindicato quanto a Comissão não aceitaram essa decisão da Mafersa e entraram ontem com uma liminar na Justiça do Trabalho em Contagem pedindo a suspensão da medida.
Segundo Funghi, a redução da carga de trabalho e salários só pode ser feita quando há um acordo entre funcionários, sindicato e empresa. Apesar da decisão da Mafersa de reduzir a jornada de trabalho, os funcionários têm mantido o horário, deixando a empresa às 17 horas, e não às 13 horas como determinou a Mafersa.
Para o presidente da Comissão de Fábrica, Carlos Wagner Silva Dias, o imobilismo em que a Mafersa se encontra traz suspeitas de que o Fundo de Pensão da Rede Ferroviária Federal (Refer), detentora de 90,4% das ações da fábrica, quer vender a empresa. Segundo ele, a fábrica foi avaliada em R$ 50 milhões e tem em carteira pedidos na ordem de R$ 400 milhões.

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